Blog

Mondelez cria programa voltado para startups em busca de inovação

A Mondelez, companhia criada após a cisão da antiga Kraft Foods, iniciou esta semana um projeto com o objetivo de aumentar a inovação interna e desenvolver projetos mobile para cinco de suas marcas: Bis, Trident, Halls, Club Social e Tang. O programa Mobile Futures escolherá cinco startups que possuam ferramentas ou plataformas tecnológicas para que estas sejam aplicadas em projetos das marcas escolhidas. Mas além de buscar a inovação com seu programa de co-criação, a Mondelez pretende também trazer mais da cultura empreendedora para o seu DNA.

O Mobile Futures aceita inscrições até o dia 21 de julho. Na primeira etapa, 15 empresas serão escolhidas. Na fase seguinte, elas devem apresentar suas propostas para os executivos da companhia. As cinco escolhidas na etapa final terão 90 dias para desenvolver um projeto para o produto em questão. Estes podem englobar diversas atividades, de disparo de SMS, programas de relacionamento a campanhas via dispositivos móveis. Cada uma das empresas escolhidas receberá também R$ 50 mil a título de incentivo para o desenvolvimento da ação.

Durante o período de trabalho em conjunto, haverá também um intenso intercâmbio entre a empresa de consumo e as startups. “Faremos uma imersão dentro das startups para entender a dinâmica de funcionamento destas empresas. Queremos levar os nossos executivos para vivenciarem esta experiencia de empreendedorismo, para que eles voltem para a nossa corporação com este espírito”, explica Natacha Volpini, Gerente de Mídias Digitais da Mondelez.

mondelez,inovação,startup,mobile futuresEmbora seja uma empresa com marcas consagradas, a Mondelez ainda precisa construir a sua própria cultura interna e pretende, nesta troca com empreendimentos mais jovens de tecnologia, criar rotinas internas mais ágeis e com um foco maior em inovação. “Queremos ter agilidade na decisão, espírito empreendedor e um sistema de cooperação entre as áreas. Costumamos dizer que somos uma grande startup, pois acabamos de nascer. Por isso queremos trazer este espírito para dentro da Mondelez. A empresa está se cercando de várias formas para trazer esta mudança de mindset para dentro da corporação”, comenta a executiva.

Para as startups, a possibilidade de desenvolver um projeto em parceria com a Mondelez representa uma excelente oportunidade. Embora o programa esteja circunscrito a um prazo de 90 dias, a companhia não descarta parcerias mais duradouras, de acordo com a natureza de cada ação desenvolvida e também dos resultados obtidos.

*Por Bruno Garcia. Esta matéria foi publicada originalmente no portal Mundo do Marketing, e agora no Com:Atitude de acordo com parceria que os dois portais mantêm.  

O que é inovação nos dias de hoje?

Por Sérgio Castejon*

Fato: não existe um consenso para esta resposta. Para constatar essa afirmação, basta buscar a definição de inovação no Wikipédia. Os brasileiros acreditam que inovação significa “fazer mais com menos recursos, por permitir ganhos de eficiência”. Os americanos referem-se ao termo como “a criação de algo melhor ou mais eficiente, sejam produtos, processos ou até mesmo ideias”. Já os franceses acreditam ser uma “mudança no processo de pensamento para realizar uma nova ação”.

A boa notícia é que, independente da ausência do consenso sobre a definição, o que importa mesmo é o fato de que inovação é uma forma para se encontrar soluções para problemas concretos, principalmente quando a evolução gradual e contínua já não é suficiente para atender aos objetivos de negócio em termos de velocidade, isto é, não consegue dar a resposta que produza resultados significativos com rapidez. Mas, afinal, qual é a resposta certa? Bom, vamos analisar alguns cases que ilustram um pouco o que é inovação.

1. Inovação não é uma ruptura qualquer
Não adianta criar algo diferente e inspirador que não está adequado ao mercado e/ou estratégia da empresa. Enfim, que não seja capaz de gerar valor, já que inovar pressupõe geração de valor ao negócio. A rede varejista TESCO Home Plus tinha como desafio ser o supermercado #1 em vendas no mercado Sul-Coreano sem que isso viesse a impactar no número de lojas espalhadas pelo país.

Ao entender profundamente seu consumidor, que tem uma vida bastante agitada, na qual fazer compras no supermercado é sempre uma tarefa “complicada”, a TESCO Home Plus inovou em sua rede de distribuição: a loja foi até os consumidores.  A empresa criou uma loja “virtual” nas estações de metrô com aparência idêntica às gôndolas convencionais de seus supermercados. Os produtos eram representados por fotos e podiam ser comprados via QRCode através dos smartphones dos clientes.

Inovação provoca ruptura e gera valor. Depois de instalarem as lojas virtuais no metrô, as vendas online da TESCO Home Plus tiveram um incremento de 130% e a rede varejista ficou ainda mais próxima da líder de mercado.

2. Inovação é correr risco
É isso mesmo, inovação é uma mudança e como toda mudança ela traz riscos para o negócio. Sem falar que em inovação os testes que recomendamos são difíceis de reproduzir uma situação ainda inexistente. A loja norte-americana online de vestuário Zappos sabia disso quando criou o “FREE RETURNS”, serviço no qual o consumidor, quando não satisfeito com sua compra, pode devolvê-la gratuitamente à loja e ter seu dinheiro de volta – tudo isso sem truques nem pegadinhas.

Parece simples e nada inovador, certo? Errado, a Zappos foi inovadora na atitude frente ao consumidor. Ela soube absorver a fraqueza que lojas online têm frente aos concorrentes offline: na loja virtual, o consumidor não prova os produtos, com isso fica inseguro no momento da compra.

Sabendo disso, ela trouxe ao mercado um serviço que nenhuma outra loja online tinha até o momento, correndo o risco de ter prejuízo em diversas compras. No entanto, o que a Zappos enfrentou com esta atitude inovadora foi clientes satisfeitos, mais seguros no momento da compra e um faturamento anual de 1 bilhão de dólares.

3. Inovação não é abandonar a ideia original
Você já deve conhecer bem um microondas, aparelho que tem evoluído muitos nos últimos anos. Isso mesmo, “evoluído”, pois tudo que vimos nas últimas décadas, desde a sua criação nos anos 40, foram novidades e não inovação. Mas, recentemente, um aluno norte americano de design, Matthew Schwartz, criou para o concurso Design Lab Eletrolux um microondas portátil, o ONDA.

Neste projeto, Matthew não ignorou a ideia original de que o microondas é um eletrodoméstico que entrega praticidade, facilidade e agilidade no aquecimento de alimentos, ele “apenas” adicionou a todos estes benefícios um novo atributo: mobilidade. O aparelho poderá ser levado para qualquer lugar, até a um piquenique.

E isto o torna inovador? Na nossa visão, sim, pois um projeto como este pode trazer incrementos em resultados para a Electrolux por meio da maximização do valor de sua marca, que possivelmente passará a ser percebida como ainda mais inovadora em criar eletrodomésticos. Mas há uma condição, ele efetivamente tem que ser posto em prática e trazer resultados perceptíveis ao negócio e ao cliente, caso contrário não passará de uma invenção.

*Sérgio Castejon é Gerente Sênior da OThink Soluções Empresariais. É Graduado em Engenharia Eletrônica pela Escola de Engenharia Mauá e Pós-graduação em Administração (CEAG) pela FGV

*Este artigo foi publicado originalmente no portal Mundo do Marketing, e agora no Com:Atitude de acordo com parceria que os dois portais mantêm.

Inovação e direitos humanos: temas importantes na evolução para uma economia “verde”

Palestra sobre inovação para a sustentabilidade

O centro de discussão da plenária Inovação para a sustentabilidade, ocorrida na segunda-feira (08/08) durante a Conferência Ethos 2011, foi o paradoxo entre a necessidade de uma transformação geral da mentalidade para a maior consciência socioambiental e o instinto animal do ser humano – historicamente acostumado a consumir e degradar sem regras ou imposições.

No âmbito das empresas, essa mudança de paradigma já ocorre, mas para o biólogo e sócio-gestor do Fundo Pitanga, Fernando Reinach, estamos frente à uma mudança cultural que em seu cerne já é anti-humana: “as coisas que mais prezamos são aquelas inovações que nos trouxeram até aqui. Precisamos nos liberar do instinto animal para realmente incorporar mudanças relacionadas ao consumo desenfreado”, disse. Entretanto,  ele destacou que hoje temos maior consciência e o que fará diferença serão as nossas opções para o desenvolvimento sustentável.

A discussão realmente baseou-se em aspectos subjetivos da inovação. O professor da Fundação Dom Cabral, Cláudio Boechat, afirmou que não trataria de inovações tecnológicas na ocasião – ou seja, relacionadas aos processos produtivos e/ou de gestão para a sustentabilidade – e sim, da inovação da mentalidade para a sustentabilidade. Ele afirmou que os governos que acreditam nos valores de uma economia verde puxam as inovações para tal. No lado empresarial, o diretor executivo da Fundação Nacional da Qualidade (FNQ), Ricardo Correa Martins, destacou que o grande desafio – além da mudança cultural – é a capacidade de organização dos líderes para gerir essas necessidades. “Nossa capacidade de destruição é maior do que a capacidade de renovação”, disse. Todos concordaram que estamos diante de um desafio imenso para a consolidação de uma economia “verde”.

Em atividade interativa com os participantes da plenária, 41% discordam parcialmente que os líderes empresariais estão capacitados para fazer a inovação sustentável. Já 31% discordam totalmente. O resultado mostra que ainda não acreditamos na capacidade de mudança. A incapacidade de pensar em longo prazo foi apontado por Fernando como a maior dificuldade em todos os âmbitos – empresarial, público e na sociedade civil – para incorporar a sustentabilidade.

Direitos humanos em pauta

Direitos humanos e a sustentabilidade
Outro painel da Conferência Ethos discutiu a questão dos direitos humanos nas empresas e comunicou o lançamento do Grupo de Trabalho Empresas e Direitos Humanos, parceria do Instituto Ethos com as seguintes empresas: British Petroleum, Eletrobras, Itaú, Mattos Filho Advogados, Santander, Syngenta e Vale. O objetivo é reunir esforços para a criação de uma agenda que promova os direitos humanos e o trabalho decente no mundo empresarial.

Juliana Monteiro, advogada da Mattos Filho e representante do GT, afirmou que a discussão sobre os direitos humanos começou somente na década de 90 com algumas denúncias de funcionários. A ONU passou a colocar o tema como prioritário em suas metas globais, mas não foi realizado o mapeamento das deficiências e desafios no âmbito das empresas. O trabalho do professor da Universidade de Harvard, John Ruggie, o Protect, Respect and Remedy Framework, lançado em junho deste ano, foi pioneiro nesse sentido: ele ouviu CEOs e funcionários de empresas para a elaboração de um documento que prevê as as boas práticas do setor empresarial para a questão.

A gerente de responsabilidade social da Vale, Liesel Mack Filgueiras, contou sobre as iniciativas que foram realizadas na empresa sobre direitos humanos, como sua política global de direitos humanos, e citou a importância da gestão do tema para além da cadeia produtiva, ou seja, a importância de verificar o trabalho dos fornecedores e outros stakeholders.

As duas palestras mostram que não só esses temas, mas outros que se integram à plataforma mais ampla da sustentabilidade, representam desafios para as empresas atuarem neste contexto marcado por uma nova visão: da articulação dos atores sociais para a mudança do paradigma econômico no Brasil e que tem como essência o senso colaborativo.

Confira como foi a plenária de abertura da Conferência Ethos 2011 aqui.

Fundação Telefônica e IDIE lançam pesquisa sobre inovação educativa

A inovação que a tecnologia propõe à educação é um tema debatido no Brasil, com vistas a evolução e abrangência de ações neste campo. Mas, além da questão técnica e do uso de novas ferramentas em sala de aula, o conceito da inovação pode eliminar impossibilidades e dificuldades presentes na educação. Ou seja, pensar em alternativas que vão além de estruturas e ferramentas é essencial para o desenvolvimento do campo educacional.

Françoise Trapenard, diretora-presidente da Fundação Telefônica, abre o seminário de Inovação Educativa

 

Este posicionamento foi destaque de uma pesquisa sobre Inovação Educativa lançada hoje pela manhã (15) na sede da Telefônica, resultado de um trabalho entre a Fundação Telefônica e o Instituto para o Desenvolvimento e a Inovação Educativa (IDIE), da Organização dos Estados Ibero-Americanos para a Educação, a Ciência e a Cultura (OEI).

Após introdução da Françoise Trapenard, diretora-presidente da Fundação Telefônica, a coordenadora do IDIE, Márcia Padilha, apresentou a metodologia da pesquisa e o mapeamento de onze projetos considerados interessantes sob a ótica da inovação em educação. Destes, quatro são considerados de vanguarda e foram apresentados durante o evento. “A ideia da pesquisa não é esgotar o assunto e, sim, desdobrá-lo e montar um repertório de casos exemplares, capazes de provocar reflexões necessárias”, afirmou Márcia.

A pesquisa foi constituída pelo seguinte processo: levantamento bibliográfico; mapeamento de projetos existentes – foram 72 iniciativas identificadas na primeira leitura; seleção das iniciativas de acordo com um modelo de análise fundamentado em três indicadores: qualidade, integração e tendências; e organização dos resultados, o que fornece um panorama da inovação educacional no Brasil. Os quatro projetos considerados realmente inovadores são: Cartografias de Sentidos nas Escolas, da Universidade Federal de Minas Gerais, em Belo Horizonte; Fractal Multimídia, do Colégio Estadual Embaixador José Bonifácio, de Petrópolis, no Rio de Janeiro; Experimentação remota como suporte a ambientes de ensino-aprendizagem, desenvolvido em Araranguá, pela Universidade Federal de Santa Catarina; e Olimpíadas de Jogos Educacionais, da empresa Joy Street em parceria com o Centro de Estudos de Sistemas Avançados do Recife e a Universidade Federal de Pernambuco.

“Partimos do princípio de que a inovação é algo que agrega educação, tecnologia e sociedade, gerando impacto social, produção de novos conhecimentos e influência em políticas públicas educacionais, mas queríamos uma pesquisa que apontasse um panorama teórico e de contexto, assim como um cenário de experiências inovadoras em curso”, afirma Gabriella Bighetti, diretora de programas da Fundação Telefônica.

O desenvolvimento deste trabalho está integrado a uma parceria maior, com duração de 10 anos, em que a Fundação Telefônica e a OEI se comprometeram a estudar, assessorar e promover práticas educativas voltadas para a melhoria da educação na América Latina.

EducaRede
A Fundação Telefônica está envolvida na questão das TICs com o programa EducaRede, criado em 2002, que desenvolve projetos neste campo ao investir em cursos e ambientes colaborativos para que os educadores pensaram na tecnologia como ferramenta de produção de conhecimento.  O programa tem um portal, que dá suporte aos educadores e estudantes, com mais de 200 mil usuários cadastrados. Além de conteúdo, o portal conta com fóruns e salas de bate papo para a integração e troca de experiências.