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Guia Exame de Sustentabilidade reconhece atitudes ambientais das marcas

Unilever é a empresa sustentável do ano

A revista Exame abre espaço todos os anos para que as empresas tenham suas plataformas de sustentabilidade avaliadas. A 12a. edição do Guia Exame de Sustentabilidade estará nas bancas no dia 24 de novembro, mas o Com:Atitude esteve presente no evento de premiação, que ocorreu na noite do dia 09/11 na Fundação Maria Luisa e Oscar Americano, na capital paulista.

A seleção das 20 empresas-modelo é feita a partir de uma metodologia desenvolvida pelo Centro de Estudos em Sustentabilidade da Fundação Getúlio Vargas (GVces) que consiste em quatro etapas. A primeira é o preenchimento de um questionário disponível no portal da Exame pelas empresas interessadas em participar. Neste ano, 224 empresas fizeram suas inscrições. Na segunda etapa, as respostas são avaliadas de acordo com quatro dimensões: geral, econômica, social e ambiental , todas com o mesmo peso. Uma pesquisa jornalística é feita nessa etapa, que checa as informações fornecidas pelas empresas nos questionários. Após essa apuração, 39 empresas são pré-selecionadas. Por último, um conselho formado por seis especialistas na área de responsabilidade socioambiental decide quais são as 20 empresas-modelo. A própria redação da Exame seleciona, então, a empresa sustentável do ano.

O prêmio de empresa sustentável do ano foi para a Unilever. Em 2010, quem levou este reconhecimento foi a Alcoa, conforme publicamos aqui no Com:Atitude. A multinacional de bens de consumo lançou, há um ano, o Sustainable Living Plan, estratégia que pretende reduzir seus impactos ambientais em 50% até 2020 e ajudar 1 bilhão de pessoas a cultivarem hábitos saudáveis e de higiene. A plataforma será composta por 50 metas distribuídas em quatro frentes de atuação: Higiene e Saúde; Nutrição; Impactos Ambientais; e Reforço dos Meios de Subsistência.

O caminho para conquistar essas metas ambiciosas, segundo a empresa, é o investimento em inovação: “já somos sete bilhões de pessoas em um mundo finito. Se quisermos reduzir nosso impacto ambiental e a pressão sobre o planeta, precisamos inserir a inovação no centro dos negócios”, disse Fernando Fernandez, presidente das operações da Unilever no Brasil, durante o evento.

Concursos premiam e reconhecem empreendedores sociais

Em evento de premiação que ocorrerá hoje, 09/11, no Masp, em São Paulo, serão reconhecidos os vencedores da 7ª edição do Prêmio Empreendedor Social e da 3ª edição do Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro. A Fundação Schwab, organização suíça que incentiva o empreendedorismo social, promove o Prêmio Empreendedor Social. A Fundação Schwab é apoiada por diversas empresas em âmbito global: Citibank, Credit Suisse, Ernst & Young, HP e Siemens.

O vencedor será reconhecido por atuar no desenvolvimento sustentável, em áreas como agricultura, meio ambiente, educação, habitação, saúde, dentre outras. Ele passará a participar da rede mundial de “Empreendedores Sociais de Destaque”, junto com 207 líderes em 54 países, e poderá contar com consultoria legal, auditoria, treinamento em gestão estratégica, participação em workshops e congressos, dentre outras atividades.

Já o Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro, realizado pelo jornal Folha de S.Paulo, promove líderes sociais que precisem de mais visibilidade para atingir ou consolidar a sustentabilidade de suas iniciativas. O vencedor terá acesso à consultoria legal, curso em gestão, bolsa de estudos em negócios sustentáveis, etc.

Foram selecionados seis candidatos ao Empreendedor Social e cinco ao Empreendedor Social de Futuro. Juntos, os dois prêmios contabilizaram, em 2011, 272 organizações inscritas, entre líderes sociais de 25 estados do País. Os dois vencedores – um para cada prêmio – serão anunciados hoje à noite.

“Mais do que chancelar esses projetos sociais, a Folha reitera seu compromisso de reconhecer publicamente esses empreendedores, que são exemplo de que é possível unir primeiro, segundo e terceiro setores em busca de soluções efetivas para os problemas sociais brasileiros”, afirma Sérgio Dávila, editor-executivo da Folha de S.Paulo. Segundo Mirjam Schoening, diretora-executiva da Fundação Schwab, pelo sétimo ano consecutivo, “o Brasil confirma sua vocação de celeiro de empreendedores que inovam nas áreas social, econômica e ambiental”.

Planeta Terra aposta em ações sustentáveis

Além de mais de dez horas de muita música e agito, o Planeta Terra Festival 2011 também honra o nome do evento e tem uma grande preocupação em diminuir o impacto ambiental que grandes festas causam.

Não é porque está na moda realizar ações ambientais: é uma necessidade real. O evento se preocupa com o planeta, e quem curte o festival também ajuda a cuidar do meio ambiente.

Para isso, o Terra conta com a HP como patrocinadora oficial de todas as ações de sustentabilidade. A ideia é atrelar à marca do festival uma preocupação com o planeta que dure mais que os shows e seja ligada à vida das pessoas que participam do evento.

Durante os shows serão realizadas diversas ações com o intuito de compensar o impacto causado por toda a estrutura logística do evento e seguir o projeto de neutralização de CO₂.

No local das apresentações, haverá um centro de triagem e reciclagem de resíduos aberto ao público. Além disso, serão distribuídos oito mil coletores de bolso que deverão ser usados para a dispensa de bitucas de cigarro, papéis de bala e o que mais o público precisar. Já os lixos serão separados, tanto na área comum como no camarote vip.

A realização do trabalho no festival será feita pela ONG Os Recicleiros, que atua no desenvolvimento de trabalhos socioambientais visando a redução do impacto socioambiental aliada a benefícios sociais para as comunidades participantes do projeto e para o público presente. O grupo já participou das outras edições do Planeta Terra.

Enquanto os fãs curtem o festival, terá gente aproveitando a oportunidade para trabalhar. Parte da mão de obra responsável pelas ações de sustentabilidade vem de iniciativas sociais.

Assim como nos anos anteriores, a meta é reciclar 100% dos resíduos gerados durante o evento e, para isso, é importante contar com a colaboração de todos.

*Esta reportagem foi publicada originalmente no Promoview, e agora no Com:Atitude, de acordo com parceria que os dois portais mantêm.

O que é inovação nos dias de hoje?

Por Sérgio Castejon*

Fato: não existe um consenso para esta resposta. Para constatar essa afirmação, basta buscar a definição de inovação no Wikipédia. Os brasileiros acreditam que inovação significa “fazer mais com menos recursos, por permitir ganhos de eficiência”. Os americanos referem-se ao termo como “a criação de algo melhor ou mais eficiente, sejam produtos, processos ou até mesmo ideias”. Já os franceses acreditam ser uma “mudança no processo de pensamento para realizar uma nova ação”.

A boa notícia é que, independente da ausência do consenso sobre a definição, o que importa mesmo é o fato de que inovação é uma forma para se encontrar soluções para problemas concretos, principalmente quando a evolução gradual e contínua já não é suficiente para atender aos objetivos de negócio em termos de velocidade, isto é, não consegue dar a resposta que produza resultados significativos com rapidez. Mas, afinal, qual é a resposta certa? Bom, vamos analisar alguns cases que ilustram um pouco o que é inovação.

1. Inovação não é uma ruptura qualquer
Não adianta criar algo diferente e inspirador que não está adequado ao mercado e/ou estratégia da empresa. Enfim, que não seja capaz de gerar valor, já que inovar pressupõe geração de valor ao negócio. A rede varejista TESCO Home Plus tinha como desafio ser o supermercado #1 em vendas no mercado Sul-Coreano sem que isso viesse a impactar no número de lojas espalhadas pelo país.

Ao entender profundamente seu consumidor, que tem uma vida bastante agitada, na qual fazer compras no supermercado é sempre uma tarefa “complicada”, a TESCO Home Plus inovou em sua rede de distribuição: a loja foi até os consumidores.  A empresa criou uma loja “virtual” nas estações de metrô com aparência idêntica às gôndolas convencionais de seus supermercados. Os produtos eram representados por fotos e podiam ser comprados via QRCode através dos smartphones dos clientes.

Inovação provoca ruptura e gera valor. Depois de instalarem as lojas virtuais no metrô, as vendas online da TESCO Home Plus tiveram um incremento de 130% e a rede varejista ficou ainda mais próxima da líder de mercado.

2. Inovação é correr risco
É isso mesmo, inovação é uma mudança e como toda mudança ela traz riscos para o negócio. Sem falar que em inovação os testes que recomendamos são difíceis de reproduzir uma situação ainda inexistente. A loja norte-americana online de vestuário Zappos sabia disso quando criou o “FREE RETURNS”, serviço no qual o consumidor, quando não satisfeito com sua compra, pode devolvê-la gratuitamente à loja e ter seu dinheiro de volta – tudo isso sem truques nem pegadinhas.

Parece simples e nada inovador, certo? Errado, a Zappos foi inovadora na atitude frente ao consumidor. Ela soube absorver a fraqueza que lojas online têm frente aos concorrentes offline: na loja virtual, o consumidor não prova os produtos, com isso fica inseguro no momento da compra.

Sabendo disso, ela trouxe ao mercado um serviço que nenhuma outra loja online tinha até o momento, correndo o risco de ter prejuízo em diversas compras. No entanto, o que a Zappos enfrentou com esta atitude inovadora foi clientes satisfeitos, mais seguros no momento da compra e um faturamento anual de 1 bilhão de dólares.

3. Inovação não é abandonar a ideia original
Você já deve conhecer bem um microondas, aparelho que tem evoluído muitos nos últimos anos. Isso mesmo, “evoluído”, pois tudo que vimos nas últimas décadas, desde a sua criação nos anos 40, foram novidades e não inovação. Mas, recentemente, um aluno norte americano de design, Matthew Schwartz, criou para o concurso Design Lab Eletrolux um microondas portátil, o ONDA.

Neste projeto, Matthew não ignorou a ideia original de que o microondas é um eletrodoméstico que entrega praticidade, facilidade e agilidade no aquecimento de alimentos, ele “apenas” adicionou a todos estes benefícios um novo atributo: mobilidade. O aparelho poderá ser levado para qualquer lugar, até a um piquenique.

E isto o torna inovador? Na nossa visão, sim, pois um projeto como este pode trazer incrementos em resultados para a Electrolux por meio da maximização do valor de sua marca, que possivelmente passará a ser percebida como ainda mais inovadora em criar eletrodomésticos. Mas há uma condição, ele efetivamente tem que ser posto em prática e trazer resultados perceptíveis ao negócio e ao cliente, caso contrário não passará de uma invenção.

*Sérgio Castejon é Gerente Sênior da OThink Soluções Empresariais. É Graduado em Engenharia Eletrônica pela Escola de Engenharia Mauá e Pós-graduação em Administração (CEAG) pela FGV

*Este artigo foi publicado originalmente no portal Mundo do Marketing, e agora no Com:Atitude de acordo com parceria que os dois portais mantêm.

Pesquisa mostra que as atitudes socioambientais estão mais presentes na agenda dos CEOs

A cultura de uma marca representa um universo primário a ser trabalhado no plano de estruturação de atitudes socioambientais. Ao nascer dentro da empresa e extrapolar seus limites físicos,  a cultura passa a entregar aos públicos um discurso coerente e unificado, que concilia teoria e prática.

Em recente pesquisa conduzida pela consultoria global Accenture, Towards a New Era of Sustainability in Communications Industry, realizada em parceria com a ONU, foi registrado o crescimento da preocupação dos CEOs com a sustentabilidade. Líderes de empresas de 766 países foram entrevistados e o levantamento fez um recorte para as empresas do setor de telecomunicações.

De acordo com o estudo, 81% dos CEOs deste segmento  – ante apenas 50% em 2007, quando foi realizada a primeira edição da pesquisa – entendem que a sustentabilidade é essencial e defendem que as estratégias neste sentido sejam totalmente integradas ao negócio. Em todas as indústrias, 93% dos CEOs também tiveram a mesma resposta.

Para o alcance de um posicionamento voltado para a sustentabilidade, os CEOs apontaram alguns desafios: 1) a incerteza dos acionistas para a importância do tema; 2) o baixo nível de consciência do mercado consumidor, que, em sua maioria, ainda não opta por produtos sustentáveis em suas compras; 3) falta de regulamento e governança pública para o tema.

O estudo também elencou ações caracterizadas como prioritárias para a inserção das atitudes socioambientais no negócio das organizações, que estão diretamente relacionadas aos desafios: 1) a educação para a sustentabilidade, que tenha como objetivo formar consumidores conscientes; 2) a geração de conhecimento técnico para o desenvolvimento sustentável; 3) o incentivo ao investimento em ações socioambientais e a comprovação aos acionistas de que elas são necessárias, com os principais argumentos da redução de custos e aumento das receitas; 4) inserção de novas métricas para o acompanhamento e monitoramento das atitudes socioambientais, acompanhadas da criação de novos parâmetros que incluam a sustentabilidade; e 5) criação de um marco regulatório mais claro e transparente.

Para ver a pesquisa completa, clique aqui.

Schincariol aumenta vendas com projeto de reciclagem

Empresa fechou parceria com a Susten Trading para instalar máquinas que recolhem PET e bonificam consumidores

A Schincariol está fazendo os consumidores agirem de forma sustentável e, de quebra, ainda vê as vendas crescerem. Em parceria com a Susten Trading, a marca trouxe para o Brasil as máquinas de venda reversa (ou RVM, do inglês reverse vending machine), que recolhem embalagens PET recicláveis, bonificando os participantes.

Em um projeto piloto lançado em julho, a companhia instalou seis equipamentos em três pontos de venda da rede de supermercados Boa, na cidade de Jundiaí, interior de São Paulo, como parte da campanha “Ame Nosso Mundo”. Os clientes podem inserir garrafas plásticas, incluindo marcas de concorrentes, e, em troca, a cada cinco embalagens, ganham um ticket que dá direito a uma garrafa de Água Schin grátis na compra de outras três.

Apesar de ainda não ter o balanço fechado, a empresa contabiliza um aumento de cerca de 300% nas vendas de Água Schin em apenas três meses. O índice é resultado de uma ação que se baseia no incentivo a atitudes verdes em troca de benefícios, como descontos, o caminho ideal para quem quer convencer o consumidor de que vale a pena participar.

Consumidor quer benefício financeiro
De acordo com um levantamento global divulgado recentemente pela Tetra Pak, a sustentabilidade já faz parte da decisão de compra de 77% dos consumidores. O preço, no entanto, é um fator fundamental na hora de escolher. Um total de 78% estaria disposto a adquirir alimentos e bebidas verdes, desde que os valores praticados fossem os mesmos da concorrência. Com vantagens como bônus para outras compras, fica mais fácil ter a adesão da maioria.

“A cultura de reciclagem é bem consolidada na Europa. Há mais de 30 anos, vemos uma onda de sustentabilidade em países como Alemanha, Dinamarca e Noruega. Na década de 1980, surgiram as primeiras ‘reverse vending machines’, que recebem e contabilizam o valor monetário por embalagem”, explica Thiago Von Gal, sócio da Susten Trading, em entrevista ao Mundo do Marketing.

Alumínio ainda é campeão em reciclagem
Junto com Felipe Kurc, Von Gal importou a ideia da Noruega e criou a empresa para vender com exclusividade no Brasil os produtos da marca escandinava Tomra, que tem mais de 100 mil máquinas de coletas de recicláveis espalhadas pelo mundo. “Entre 2007 e 2008, fiz uma pesquisa no mercado brasileiro e vi que tinha um potencial muito grande em relação ao PET, já que o alumínio é bastante reciclado”, diz o empresário.

Segundo a pesquisa Indicadores de Desenvolvimento Sustentável 2010, do IBGE, no Brasil, 91,5% das latinhas de alumínio são recolhidas para reciclagem, enquanto para as embalagens PET esse índice é de apenas 54,8%. A ideia da Susten Trading é educar os consumidores e contribuir para a imagem das marcas parceiras, como a Schincariol.

Para a Schin, além do aumento nas vendas das águas, a iniciativa agrega valor e pode colocar a empresa em outro patamar. A ação é o maior projeto sustentável da companhia envolvendo embalagens. “A ideia surgiu no ano passado quando buscávamos alguma alternativa para a Política Nacional de Resíduos Sólidos. Queríamos algo que, além de reduzir o impacto ao meio ambiente, privilegiasse a educação ambiental. Em São Paulo, um projeto piloto já está em fase de negociação para outras redes de supermercados”, conta Anderson Machado, Gerente de SSMA (Segurança, Saúde e Meio Ambiente) da Schincariol, em entrevista ao portal.

Apoio do trade
Com o benefício ao meio ambiente e o aumento das vendas da Schin, para atingir o terceiro pilar do chamado triple bottom line – o social –, todos os recipientes coletados são destinados a cooperativas de catadores parceiras, ONGs locais e indústrias de reciclagem, fomentando o setor. Para importar as máquinas, a Susten Trading investiu inicialmente R$ 400 mil e o faturamento virá sobre o aluguel dos três modelos oferecidos, de R$ 3 mil, em média.

Já o Marketing da Schincariol trabalha para aumentar as vendas, educando os consumidores e o trade. “O projeto é patrocinado pela Água Schin e toda comunicação visual é em cima da marca. No primeiro mês, uma agência fez o acompanhamento para que os consumidores não se assustassem com a máquina”, explica Machado.

O start do projeto também contou com promotoras nos pontos de venda para explicar o funcionamento dos equipamentos. A partir do segundo mês, os próprios varejistas já estavam aptos a cumprir este papel, com o apoio de materiais de comunicação nas gôndolas e nas próprias máquinas, explicando a mecânica de bonificação no recolhimento das embalagens.

*Por Sylvia de Sá. Esta reportagem foi publicada originalmente no portal Mundo do Marketing, e agora no Com:Atitude de acordo com parceria que os dois portais mantêm.

Primeiras colocadas do Top of Mind 2011 destacam-se por investir em atitude de marca

A lista das marcas mais lembradas pelos brasileiros foi divulgada em caderno especial da Folha de S. Paulo veiculado em 26 de outubro. Em parceria com o Datafolha, o jornal lança há 21 anos este ranking, batizado de Top of Mind. Neste ano, a pesquisa tabulou as respostas de 5.209 pessoas de 162 municípios do País à seguinte pergunta: “Qual a primeira marca que lhe vem à cabeça?”. A mesma indagação também foi redirecionada a 42 categorias de produtos e serviços.

O aspecto subjetivo da preferência, baseado em valores intangíveis e vínculos afetivos, relaciona-se com a o conceito de atitude, que se fundamenta neste campo e tem como base a apropriação de um determinado universo simbólico por uma marca. As mais lembradas – no escopo geral – foram Coca-Cola e a Omo, cujos índices foram respectivamente, de 8% e 6%.

No caso da marca de refrigerantes, que utiliza a felicidade e a fantasia como atributos centrais de comunicação, houve também 2% de crescimento em seu valor de marca, equivalente a US$ 71,8 bilhões, segundo a consultoria Interbrand. Suas atitudes estão centradas nas áreas social, ambiental e do entretenimento. São mais de 142 iniciativas socioambientais, que integram a plataforma Viva Positivamente, como o Coca-Cola Coletivo, abordado no Com:Atitude, entre outras. Historicamente, a marca patrocina os Jogos Olímpicos e está presente nas edições do Rock in Rio 

A Omo, da Unilever, também se destacou na pesquisa, principalmente por conta do vínculo emocional de sua marca, resultado de uma reformulação em sua estratégia de comunicação, ocorrida em 2000. O “porque se sujar faz bem” elevou o aspecto funcional do produto e inaugurou a premissa da marca em despertar o potencial humano por meio do desenvolvimento infantil. A marca passou a investir na construção de parques em escolas e comunidades, além de lançar, em 2008, o selo “aqui se brinca”, que confere destaque às escolas públicas e privadas que colocam a brincadeira como via de aprendizado infantil, como também falamos no Com:Atitude.

Projeto social da IKEA tangibiliza propósito da marca

Um dos pilares da IKEA, rede de móveis e decoração de origem sueca e presente em 26 países, é a manutenção de preços acessíveis para a garantia da qualidade de vida e bem estar no ambiente familiar. Toda a estratégia de comunicação da marca segue este conceito. Com o intuito de ampliar esta ideia para além dos lares individuais, a IKEA lançou, pelo segundo ano consecutivo, o Life Improvement Project, que investirá nas comunidades de seus consumidores nos Estados Unidos.

A iniciativa atuará em três frentes: 1) concurso que premiará em US$ 100 mil um projeto social; 2) seminários sobre como tornar a rotina mais agradável e eficiente no lar; 3) apoio a cinco projetos sociais indicados por funcionários da IKEA; são US$ 10 mil para cada um.

Os líderes de projetos sociais que desenvolvem comunidades locais inscreveram seus projetos entre 13 de setembro a 17 de outubro. A partir do dia 28 de novembro até 23 de dezembro, os projetos finalistas estarão disponíveis para votação aberta. A iniciativa vencedora será anunciada em janeiro de 2012.

“Nos reconhecemos como a life improvement store e aprofundamos a nossa conexão com os consumidores ao prover novas oportunidades – que vão além dos nossos produtos e serviços – como o apoio a projetos de desenvolvimento de comunidades”, disse Leontyne Green, gerente de marketing da IKEA da América do Norte.

O projeto também confere consistência à atitude socioambiental da IKEA, marcada, principalmente, pela inovação, por meio do desenvolvimento de produtos sustentáveis, com maior eficiência energética e do uso de recursos naturais.

Outras prioridades da empresa estão no compromisso para uma sociedade de baixo carbono; na transformação de resíduos em recursos; na redução do consumo de água; e na responsabilidade social. Apesar de não ser líder em seu setor na questão da sustentabilidade, a IKEA alcançou o 39o lugar no ranking das 50 marcas mais verdes da consultoria Interbrand deste ano.

Primeira edição do Café Com:Atitude discute o papel da atitude de marca no engajamento de consumidores


Para dar continuidade à tradição de produzir e disseminar conteúdos relevantes sobre a disciplina de atitude de marca, o Com:Atitude voltou a promover encontros presenciais entre profissionais ligados às áreas de marca e comunicação ao organizar o primeiro café da manhã de uma série que terá prosseguimento em 2012. Nesta edição inaugural do Café Com:Atitude, realizada dia 20, em São Paulo, tema central foi o engajamento de consumidores a partir da disciplina.

A mesa de discussão foi composta por executivas de comunicação e líderes da Edelman Significa. Yacoff Sarkovas, CEO da empresa e fundador do Com:Atitude, recebeu  Mônica Gregori, diretora de comunicação e marketing da Natura; Luciana Fortuna, diretora de marketing da PepsiCo Bebidas e Tanyze Marconato, gerente de marketing da Porto Seguro. A equipe Edelman Significa foi complementada pelo vice-presidente de Conteúdo & Digital da América Latina, Marcelo Oliveira; o diretor de Atitude de Marca, Fábio Milnitzky; e Carlos Correcha, vice-presidente de Relações Governamentais. O gerente de conhecimento da empresa e editor do Com:Atitude, Rodolfo Araújo, moderou o debate.

Antes de iniciar a discussão, Rodolfo contextualizou para os participantes as atuais demandas do mercado de comunicação, decorrentes de algumas características mobilizadoras da sociedade: 1) conversas que ocorrem em cenários globais; 2) a microssegmentação de comportamentos, estilos e preferências; 3) a autoridade dispersa entre grupos e não mais centrada nas marcas e instituições “clássicas” de poder; 4) o menor controle da imagem por parte das companhias e 5) a emergência da credibilidade espontânea como fator preponderante para a percepção de valor.

No entanto, o modelo de comunicação unidirecional e ficcional que por tanto tempo pautou o mercado já não se mostra eficiente. Porém, a busca por saídas não passa por novas ferramentas, mas um novo comportamento: o engajamento público, que consiste na criação de vínculos afetivos e duradouros em um cenário de crescente interdependência.

Atitude de marca
Para exercerem o engajamento, as marcas devem cumprir três requisitos: clareza de identidade, atitudes consistentes e conversações relevantes. O agir figura como ponto fundamental para materializar o propósito de uma empresa, produto ou serviço e gera conteúdos relevantes para conversações em um ambiente interconectado. “Eu acho que o consumidor e a sociedade demandam cada vez mais coerência. E a atitude de marca é a forma mais crível de mostrar sua coerência”, disse Mônica Gregori, da Natura. Para ela, o caminho para tanto baseia-se em ações sincronizadas, simultaneamente, ao negócio e ao campo simbólico da empresa, produto ou serviço, ressaltando que a marca corporativa tem papel cada vez mais decisivo na arquitetura de percepção junto aos stakeholders.

Tanyze Marconato, por sua vez, comentou a criação do programa Trânsito Mais Gentil, principal atitude da Porto Seguro, diretamente ligada ao seu negócio: “Buscávamos entender qual a origem dos acidentes de trânsito e nossa potencial contribuição para sua diminuição. Descobrimos que a principal força-motriz para tanto é a raiva. Por isso, surgiu a ideia da gentileza como contraponto e plataforma”, contou.


Ambiente digital e atitudes
“Em um contexto de empoderamento do consumidor, as marcas devem tomar cuidado para não cometerem uma intervenção negativa”, disse Mônica. Esse aspecto está diretamente relacionado à transformação do comportamento de consumo da informação, que tornou-se amplo e interdependente. Para ela, vive-se em um momento de aprendizado, no qual as marcas devem ouvir as conversações em rede com inteligência antes de aportarem qualquer mensagem ou conteúdo.

“A marca deve ser uma facilitadora, uma colaboradora para seus públicos na web. Ao mesmo tempo, a interação não pode se distanciar muito do seu universo simbólico”, disse Marcelo Oliveira, da Edelman Significa. Segundo ele, a atuação no ambiente digital requer o cumprimento de premissas como transparência e frequência, além do planejamento, gestão e tom adequado para desenvolvimento de narrativas mobilizadoras.

Para Luciana, a atuação online também depende do objetivo da marca em determinado momento: “nossas métricas se baseiam nos objetivos momentâneos, já que a própria plataforma online muda muito rápido”.

Atitude socioambiental
Yacoff Sarkovas lançou como novo capítulo do debate a comunicação de atitudes socioambientais, tema de palestra recente por ele ministrada em evento do Gife. A plataforma de Performance com Propósito da PepsiCo foi citada por Luciana como o guia para as ações socioambientais da empresa. “Seus conceitos estão associados às nossas marcas para serem comunicados. Estamos abrindo os olhos para essa arquitetura de atributos”, disse.

Para Mônica, o grande salto da Natura quanto à sustentabilidade foi o lançamento da linha Ekos. “A linha é a tangibilização da nossa atitude socioambiental”, disse. Além de um conjunto de produtos e ações que integram tal plataforma, figura comportamento da empresa, que inclui este princípio como transversal aos relacionamentos e negócios da organização.

A importância da ativação
O patrocínio, uma das mais conhecidas formas de atitude, pressupõe o intercâmbio simbólico entre uma marca e a propriedade à qual ela se associa. Outra opção que reforça o posicionamento de uma companhia em torno de uma ou mais causas, dá-se pela criação de ações proprietárias – como o festival Natura Nós, por exemplo. Neste sentido, a ativação surge como elemento central não apenas de propagação da iniciativa, como também de diferenciação e engajamento por meio de experiências. Um dos cernes desta questão reside na proporção entre recursos investidos diretamente nas cotas e/ou ações proprietárias e nas respectivas ativações. De acordo com o histórico de pesquisas realizadas junto às maiores empresas do País pelo Com:Atitude, do total investido em ações, 25% direcionam-se à ativação. A grande questão neste ponto do debate foi a importância da comunicação não só para visibilidade, mas para demonstração de consistência.

“Pensamos, primordialmente, na criação de experiências. O público deve sair do evento ou da ação com a ideia do que é Natura”, argumentou Mônica. Para Luciana, a ativação de uma propriedade segue a lógica do “1-9-90”, que pressupões a comunicação de uma ação para apenas um influenciador, que irá passar a ideia adiante a nove pessoas, as quais propagarão, em sequência, a outras 90. “A chave é encontrar os influenciadores certos”, disse.

Atitudes para classes emergentes
Para encerrar a discussão, os participantes comentaram o novo momento que circunda o planejamento estratégico de atitudes com foco nas classes emergentes. “Não basta criar produtos e ações 1.0”, disse Tanyze. Para ela, simplificar não é a abordagem correta, já que tais consumidores são exigentes e altamente críticos.

Para Luciana, a chave para o entendimento deste novo panorama passa pelo aprendizado. “Antes de criar qualquer atitude que inclua as classes emergentes, é preciso aprender diretamente com eles, vivenciar seu cotidiano e, sobretudo, valorizar o que eles valorizam”, afirmou.

Sob esta perspectiva de desafios para o campo da atitude de marca e engajamento público em um cenário complexo, organizaremos em breve novas edições do café em um calendário que contemplará, em 2012, mais novidades.

A incorporação de um ritmo sustentável de crescimento: desafio para o setor bancário global

O setor bancário global mostrou sua recuperação pós-crise 2008 no ano passado e no primeiro semestre deste ano, mas o resultado mascara grandes diferenças entre os mercados emergentes e desenvolvidos. Mesmo antes da turbulência dos bancos europeus – deflagrada este ano por conta da crise das dívidas soberanas de países como Grécia, Itália, Espanha e Portugal – a previsão de crescimento dos bancos dos países desenvolvidos, como Estados Unidos e Europa, era preocupante.

O cenário financeiro passa por transformações que desconstroem a concepção de que um crescimento vertiginoso é o maior objetivo. O desenvolvimento sustentável tornou-se a base para a sobrevivência deste setor em um cenário cada vez mais turbulento. Para discutir essa questão, a consultoria global McKinsey, lançou em setembro o paper O estado da indústria bancária global: em busca de um modelo de negócio sustentável, que reuniu dados de 300 bancos de 79 países.

Cenário atual
De acordo com o relatório, o faturamento da indústria bancária global atingiu o recorde de US$ 3.8 trilhões em 2010. Deste faturamento global, 40% vêm da China e outros emergentes. Os Estados Unidos, Europa, Japão e outros desenvolvidos foram responsáveis por 60% do faturamento, dividido, por 15%, 26%, 5% e 14%, respectivamente por cada região. Em 2007, 76% deste faturamento foi originado de mercados desenvolvidos. Ou seja, a participação dos mercados emergentes é cada vez maior.

Entre 2007 e 2010, as receitas bancárias nos mercados emergentes cresceram significativamente, enquanto nos mercados desenvolvidos, as receitas caíram ou ficaram estáveis. No Brasil, por exemplo, esse crescimento foi de 17,6%, enquanto nos Estados Unidos, houve decréscimo de 3,5%. A previsão é que até 2020, cerca da metade das receitas bancárias do globo virão dos mercados emergentes. Esse crescimento será abastecido, em parte, pela inclusão ao sistema financeiro de um público que hoje não tem conta bancária. Hoje, cerca de 2.5 bilhões de adultos não usam os serviços financeiros formais.

As principais mudanças
Grandes tendências fazem com que o setor bancário dos EUA e Europa, principalmente, precise se readequar, em prol de um desenvolvimento sustentável:

1) aumento das regulações globais e o impacto disso no faturamento;

2) aperto do capital e financiamento por conta do aumento da demanda por crédito e do investimento em infraestrutura;

3) gap entre o crescimento dos mercados emergentes e dos mercados em que o crescimento continuará devagar;

4) mudanças no comportamento do consumidor, como a emergência de um público exigente, com maior poder de escolha e mais sensível a preços injustos.

Como reação a todo esse movimento, de acordo com o relatório da McKinsey, será preciso combinar três vetores estratégicos:

1) Eficiência de capital, por meio da transferência de uma porção substancial dos riscos para outros locais;

2) Redução dos custos básicos de operação;

3) Conquista de novas oportunidades, por meio da inovação centrada no consumidor; precificação inteligente; e novo gerenciamento de riscos, mais seletivo.

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