*Por Rebecca Andreassen

Há algumas semanas, tive o privilégio de ir ao Social Innovation Summit, um fórum semestral restrito a convidados e que reúne os lados leste e oeste dos Estados Unidos. O encontro desafia os participantes a explorar tendências no mundo da inovação social e, neste sentido, tem sido palco para uma série de resultados concretos e apresentações. Em meio às várias boas ideias, histórias emocionantes e programas de sucesso, um bom número de boas práticas continua a emergir.

Não reinvente a roda

Esta parte do artigo poderia também se chamar “Parcerias estratégicas são a chave”. Uma das questões mais perguntadas pelos empreendedores sociais diz respeito a como atingir o sucesso com recursos limitados. Entre as saídas possíveis, figura encontrar uma parceria que tenha a exata propriedade intelectual de que se necessita. Estamos em um negócio que prioriza investimentos na sociedade (veja os resultados de 2012 da pesquisa goodpurpose), então é necessário encontrar a ONG ou entidade sem fins lucrativos correta, que já tenha um trabalho bem desenvolvido na indústria ou rede na qual se deseja envolver. Isto é mais inteligente e rápido que reinventar a roda do engajamento.

Outro grande exemplo disso dado pela inovadora-chefe do USAID, Maura O’Neil, enquanto falava em painel sobre “Empreendedorismo e inovação como motores de crescimento”. Ela mencionou que, quando a USAID comoeçou um projeto focado em entregar cuidados de saúde por meio de telefonia móvel, eles estabeleceram uma parceria com uma empresa que já havia conduzido uma pesquisa sobre como trabalhadores do setor usam seus dispositivos enquanto estão fora do trabalho. Embora tenha feito este levantamento com um caráter comercial, a organização pesquisadora firmou laços com a USAID com um propósito social em mente. Com isso, a USAID economizou tempo e recursos, tornando-se capaz de implementar com sucesso um programa útil para os trabalhadores de saúde desde o início.

Confiança é chave

Como em qualquer bom relacionamento, confiança é parte integrante do sucesso. Com o passar dos anos, percebemos mais enfaticamente que confiar depende de uma perspectiva de benefício mútuo e, claro, canais abertos de comunicação. Além disso, não deve haver condições pré-concebidas quando se inicia uma parceria, uma vez que isso pode limitar o comprometimento com novos projetos e ideias. E, francamente, isso limita também a criatividade.

Nenhum exemplo é necessário aqui. Não é surpresa que a confiança em seu parceiro resulta em maior produtividade e longevidade nos produtos que derivam do relacionamento com ele.

Às vezes, você precisa colocar-se no lugar do outro

Isto também é uma “boa prática” para negócios em geral, mas, em alguns momentos, quando você se dedica a resolver um problema, é valioso contar com a perspectiva de outro agente que não está envolvido diretamente com ele. Um olhar arejado. Isto pode ser melhor ilustrado por meio de um exemplo.

Ambientalistas odeiam poluição. Bem, muitos pensam da mesma forma, mas, em geral, os ativistas são aqueles que procuram influenciar o público geral para que mudem seus hábitos de emissão de carbono e desperdícios. Porém, como prendem nossa atenção? Mostrando as consequências decorrentes justamente da não-mudança em nosso comportamento, como em questões de saúde, um ecossistema morto ou a falta de recursos em um planeta hiperexplorado. São pontos fáceis de serem compreendidos, mas é difícil para a maioria das pessoas mudarem seus estilos de vida e entenderem que, desta forma, poderão conter uma volumosa maré, por exemplo.  Logo, por que não abordar o problema sob uma perspectiva de negócios?

Em vez de perguntarmos sobre repercussões de longo prazo, poderíamos questionar qual seria o retorno de investimento imediato que inspiraria uma organização a mudar seus hábitos. Resposta – poluição representa custo, então representaria reduzir despesas operacionais de maneira sustentável. Especialmente em áreas populosas, é uma questão que afeta a saúde dos colaboradores, que, por sua vez, diminui a produtividade, reduz o engajamento, eleva a rotatividade, além de disparar as taxas de seguro para os empregadores. O especialista Rajesh Anandan falou sobre uma parceria de negócios fundada em uma única premisa: ao ajudar uma companhia a reduzir seus índices de poluição, seria possível aferir um retorno sobre o investimento ao longo de sua força de trabalho. Como isso aconteceu? Por meio da abordagem do problema por meio de lentes de negócio, não de um ambientalista.

Não renegue o absurdo

Muitos de nós deve ter, de uma forma ou de outra, ouvido o postulado de Einstein sobre a insanidade, no qual a define como “fazer a mesma coisa repetidamente esperando resultados diferentes.” De acordo com Dan Epstein, fundador e CEO do The Unreasonable Group, esta é a forma pela qual se tem abordado filantropia, responsabilidade social e inovação social. Em outras palavras, temos endereçado problemas antigos com as mesmas abordagens, estratégias e táticas. Ele sugere que uma maneira “fácil” de romper este ciclo vicioso consiste em abrir-se para ideias e abordagens absurdas e aparentemente sem sentido e investir efetivamente em propostas que desafiem o status quo. Sua empresa, por sinal, é um bom caso para ilustrar este ponto de vista.

Propósito social e propósito do negócio devem ser um só – e o mesmo

Para os negócios que procuram entrar na seara dos empreendimentos sociais, não é mais possível encarar a resposabilidade social como uma forma de filantropia. Para gerar impacto relevante, empreendimentos sociais devem adequar-se a uma missão de negócio mais ampla. Há uma tonelada de exemplos neste encontro que aqui relato, como a parceria da Verizon com  a Swinfen Charitable Trust e a Universidade de Virginia Health System  para conectar pacientes rurais com especialistas em saúde ao redor do mundo. to connect rural patients with healthcare experts half way across the world. 

Então, o que está por vir? As empresas precisam entrar neste barco e buscar parcerias que as permitam usar seus produtos e serviços com fins socialmente relevantes. E, talvez, possa garantir uma página no livro do Unreasonable Group, como uma abordagem absurda que resolveu um problema real.

*Rebecca Andreassen (@thisbeccalynn) trabalha na Edelman de San Francisco.