As camisas dos clubes de futebol têm sido objeto de crescente cobiça por marcas em busca de visibilidade. No entanto, quando se trata de atitude de marca, é preciso ir além. Uma exposição baseada em oportunidade e curto prazo tem menos chances de gerar resultados efetivos do que o investimento contínuo em ações de horizonte mais amplo e alinhadas à marca em questão. Os uniformes dos grandes times, todavia, não deixam de ser espaços altamente atrativos na área esportiva. Esta modalidade de patrocínio começou a aquecer-se nos anos 80.

Alguns times de futebol e seus patrocínios

Conheça a primeira vez de alguns clubes na relação entre marcas e uniformes (e não deixe de reparar as cifras):

Manchester United
O primeiro patrocínio exposto no uniforme dos Red Devils ficou a cargo da empresa de eletrônicos Sharp, em um vínculo que teve início na década de 80 e encerrou-se somente no ano 2000. O valor do acordo inicial foi de “somente” £500 mil. A parceira seguinte foi a Vodafone, que assinou um acordo quadrienal por £30 milhões. No entanto, a empresa de telecomunicações decidiu concentrar seus investimentos na Liga dos Campeões, abrindo espaço para a seguradora AIG, que estabeleceu – há cinco anos – um acordo de £56,5 milhões, um recorde à época. Em 2010, quem assumiu a camiseta vermelha foi a empresa de resseguros norte-americana Aon, a quem um vínculo por quatro temporadas custou £80 milhões. A fornecedora atual de materiais esportivos do time de Wayne Rooney e Rio Ferdinand é a Nike, cujo aporte à equipe – que vigora até 2015 – foi de £303 milhões.

Chelsea
O clube do bilionário russo Roman Abramovich – e rival do Manchester United – tornou-se nos anos 2000 uma potência do futebol europeu graças ao denso volume de capital trazido pelo magnata do setor energético. A camisa azul do time londrino foi patrocinada pela primeira vez pela empresa aérea Gulf Air, na temporada 83-84. Atualmente, o uniforme da Adidas é estampado pela Samsung.

Real Madrid
O arquirrival do Barcelona teve na empresa Zanussi, de produtos domésticos, o seu primeiro patrocinador de camisa também no início dos anos 80. Após o termino do contrato, em 85, vieram empresas como Parmalat e Siemens Mobile. Hoje, o clube merengue é patrocinado pela casa virtual de apostas bwin.com, que também já exibiu sua marca na camisa rubro-negra do Milan, hoje apoiado pela aérea Emirates.

Flamengo e Corinthians
Detentor da maior legião de fãs do país, o time carioca manteve durante 25 anos um acordo com a Petrobras, que para divulgar-se usava a marca de óleos Lubrax. O contrato, encerrado em 2009, aproximava-se dos R$ 14 milhões. Atualmente, o clube não tem acordo vigente para o espaço, ao contrário do Corinthians, que praticamente “loteou” seu uniforme para os produtos do portfolio da gigante de varejo Hypermarcas. No início do ano, a diretoria da equipe paulista projetou para 2011 uma receita de R$ 62 milhões somente com patrocínios de camiseta, valor superior ao que recebem clubes como o alemão Bayern de Munique, por exemplo. O alvinegro teve como primeiros patrocinadores em sua história a Cofap, em 1983 e a Bombril, que um ano antes realizou um investimento pontual na camisa do time na final do Campeonato Paulista.

Boca Juniors
O multicampeão argentino, patrocinado em 2011 pela Nike e a empresa de eletrônicos LG, também começou a estampar marcas em seus uniformes na década de 80, ao dar visibilidade à empresa Vinos Maravilla. A cerveja Quilmes, a varejista Megatone e a Parmalat são outras que se associaram ao clube portenho de maior apelo popular.

A agremiação mais resistente a este tipo de vínculo era o FC Barcelona, que sempre preservou seu uniforme da exposição de marcas que não fosse a do fornecedor esportivo. Recentemente, a equipe catalã passou a estampar em seu vestuário de jogo o logo da Unicef, braço das Nações Unidas dedicado a projetos focados em crianças e adolescentes. Além de promover a entidade, o Barcelona doou à instituição aproximadamente R$ 9 milhões. Entretanto, depois de mais de cem anos, o time espanhol abre espaço em sua camisa para a Qatar Foundation, de quem receberá quase R$ 340 milhões por um contrato de cinco anos. A ONG do Oriente Médio, voltada à educação, pesquisa e atividades esportivas, deseja ser um dos pontos de percepção do país com vistas à Copa de 2022 – para a qual foi escolhido como sede. Com uma dívida que chegava perto de R$ 1 bilhão, os catalães romperam a tradição e aceitaram o aporte financeiro.