Para discutir o contemporâneo, nada melhor do que utilizar técnicas, tecnologias e recursos nascidos na própria época. A velocidade com que nascem dispositivos, códigos e linguagens eletrônicos, biológicos e digitais faz com que a arte que se apoia nestas plataformas possa, com propriedade, abordar as emergentes questões vividas por nós em cada esquina ou site.

Mobilidade, genética, vigilância, identidade, tempo e memória são algumas das questões abordadas neste campo da arte. Do mesmo modo que tratam o humano na sua expressão mais recente, abrem possibilidade para o desenvolvimento e experimentação de novas tecnologias. Trata-se de um terreno amplo a ser percorrido não apenas por artistas que militam na área, como por empresas cujos significados associam-se a tais linguagens.

Rapidamente, a relação entre arte e tecnologia criou um mercado relevante, atraindo a atenção de marcas de grande porte que desejam associar-se a manifestações vinculadas a atributos como vanguarda, inovação, jovialidade, dentre outros. Eventos patrocinados ou seleções de projetos têm feito parte da rotina, sobretudo, de companhias ligadas aos setores de comunicação e tecnologia, além de outras que desejam criar associações junto a ideias particulares deste universo.

O Festival Internacional de Linguagem Eletrônica (FILE) é um destes exemplos. Realizado há 11 anos, tornou-se o principal encontro brasileiro e latino-americano no panorama das artes eletrônicas e digitais. Ao alinhar festivais de diferentes categorias – como games e um prêmio concecido para difusão e inclusão digital -, o evento posiciona-se como referência mundial no tema. Somente no FILE Prix Lux, premiação dada a profissionais das linguagens eletrônicas e digitais, foram recebidas 1.235 inscrições de 44 países. Todo o processo foi executado em parceria com o banco Santander, por meio de sua divisão de ação cultural. Além de São Paulo, o evento passa pelas cidades de Porto Alegre e Rio de Janeiro. Nas capitais do Rio Grande do Sul e fluminense, a empresa de telecomunicações Oi surge como patrocinadora. A marca, além disso, mantém espaços no Rio e em Belo Horizonte que abrigam ações em torno do tema e, ainda, incentiva projetos por meio de seus editais.

O setor de telecomunicações, inclusive, é protagonista de outras iniciativas relevantes na área. A Claro apresenta o Prêmio Mobilefest, que reconhece projetos em duas categorias: arte e criatividade móvel  e criação de aplicativos móveis. Realizada pela primeira vez em 2006, a iniciativa ganhou reconhecimento junto aos que desenvolvem obras e tecnologias a partir do uso das plataformas ligadas à telefonia celular.

Outro evento já consolidado na cena da arte-tecnologia é o Vivo arte.mov. Também focado na “cultura da mobilidade”, procura incentivar o desenvolvimento, a pesquisa e difusão de projetos artísticos pautados pelas questões que emergem neste contexto. Na edição de 2010, o festival transita por cinco cidades: Belém, Salvador, Porto Alegre, Belo Horizonte e São Paulo. A turnê terá como tema as “Novas Cartografias urbanas: reconfigurações do espaço público”. Assim como o Mobilefest, foi criado em 2006 e teve como primeiro foco a capital mineira. A Vivo mantém em sua plataforma cultural outras atividades acerca do binômio arte-mobilidade ao apoiar projetos de pesquisa e uma galeria que recebe obras que gravitam em torno da temática.

A espanhola Telefónica, por sua vez, expõe sua marca no Prêmio Sergio Motta de Arte e Tecnologia, que concentra fóruns, exposições, oficinas e prêmios renomados na área, confirmando um espectro amplo de produção cultural, inclusão social e reflexão crítica sobre o contemporâneo.

De volta aos bancos, no âmbito do Itaú Cultural ocorre a Emoção Art.ficial, bienal de arte e tecnologia que ocorre desde 2002. Na edição deste ano, a mostra tem como foco a “autonomia cibernética” que trata de comportamentos emergentes nos próprios dispositivos maquínicos, subvertendo e questionando a prevalência do humano. Somado à exposição, o projeto contempla um seminário internacional que promove debates conceituais junto a pensadores deste campo.

A associação de empresas a este movimento, com significado e propriedade, confirma uma saudável tendência em atitudes de marca, de modo a conciliar sintonia com o contemporâneo, consistência e, principalmente, conexão com o negócio a partir de ações inclusivas e relevantes dos pontos de vista cultural e social.